Professores demonstram disposição para radicalizar na luta em defesa das Universidades Estaduais da Bahia

Os professores da UESC se reuniram em Assembleia na última quarta-feira (6), para discutir saídas para crise imposta às Universidades Estaduais da Bahia (UEBA), pelo governo Rui Costa (PT). Dentre as propostas, foi apresentado, além de medidas judiciais a serem tomadas, um calendário de mobilização com paralisação de 72 horas e possível greve geral.

Os encaminhamentos da Assembleia foram avaliados em reunião do Fórum das Associações Docentes (Fórum das ADs), que também discutiu as propostas dos professores/as da UESB, UNEB e UEFS, na quinta-feira (7).  Como resultado da discussão, os representantes docentes indicaram que seja realizada uma rodada unificada de Assembleias, no dia 5 de Julho, para pautar a decretação do Estado de Greve da categoria. Até a data, o Fórum das ADs vai protocolar, novamente, a pauta da categoria, em mais uma tentativa de diálogo com o governo. A participação no tradicional cortejo das UEBA, no 2 de Julho, em Salvador, também, foi proposto.

A pauta dos professores, protocolada desde dezembro de 2017, reivindica 21,1% de recomposição salarial, 7% da Receita Liquida de Impostos destinada ao orçamento das universidades e o cumprimento dos direitos trabalhistas. Leia mais sobre a pauta de rivindicação.

Assembleia da ADUSC

Encaminhamentos foram aprovados por unanimidade. Foto: Ascom ADUSC

Encaminhamentos foram aprovados por unanimidade. Foto: Ascom ADUSC

A Assembleia dos docentes da UESC foi marcada por uma discussão ampla, diversificada e muito produtiva. Indignado com o descaso e a falta de diálogo do governo, os docentes relataram problemas que afetam desde a condição de vida e trabalho à qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão.

O cancelamento das aulas de campo frente à escassez orçamentária, tem sido uma das queixas recorrentes. O custeio de materiais didáticos e de laboratório, sob responsabilidade de estudantes  e professores, é outro problema. Além de assumir esses e outros gastos, os/as professores/as ainda sofrem com a corrosão salarial, já que há 3 anos o governo não cumpre com a reposição da inflação.

Nesse sentido, frente ao reajuste salarial concedido aos agentes penitenciários (veja aqui), os docentes encaminharam entrar com uma medida judicial reivindicando isonomia salarial, isto é, que seja dado o mesmo tratamento a todas as categorias de servidores públicos do estado da Bahia.

Em termos de mobilização, a Assembleia também encaminhou um calendário de mobilização com uma semana de atividades internas nos Campi; uma segunda semana de paralisação conjunta de 72 horas e, numa terceira semana, uma rodada de Assembleias nas quatro UEBA para avaliar a construção de uma greve docente.

Fórum das ADs

Reunidos na UESB de Vitória da Conquista, nesta quinta-feira (7), os representantes da ADUSC, ADUSB, ADUFS e ADUNEB avaliaram as propostas elaboradas a partir do Movimento Docente de cada universidade. O descontentamento da categoria é unanime e crescente. Entretanto, mesmo com calendários dissonantes, entre as universidades, o Fórum construiu uma proposta de atividades conjuntas, garantindo a autonomia de cada AD quanto às suas mobilizações internas.

Entre os encaminhamentos do Fórum das ADs, ficou decidido que os representantes docentes tentarão novamente a abertura de diálogo com o governo, protocolando, no dia 20 de Junho, mais uma solicitação de reunião. O Fórum de Reitores também será instado pelo Movimento Docente para uma reunião tendo em vista um posicionamento dos  reitores referente à pauta da categoria. A categoria, assim como toda comunidade acadêmica, também está sendo convocada á participar do Cortejo do 2 de Julho, como estratégia para dar visibilidade  à população quanto aos ataques e descaso do governo estadual ao patrimônio do povo baiano. E no dia 5 de Julho acontecerá, na UESC, UESB, UNEB e UEFS uma rodada unificada de Assembleias para pautar o estado de greve e a construção do movimento paredista.

Segundo o presidente da ADUSC, José Luiz de França, o Movimento Docente tem se empenhado na tentativa do diálogo com o governo. “Rui Costa finge ignorar a tradição de luta dos docentes, categoria que enfrentou uma greve vitoriosa no início de seu mandato, o que destravou uma fila de direitos trabalhistas acumulados”, destaca França, reafirmando a disposição da categoria pra luta.

 

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