Feminicídio de Sandra Oliveira, estudante de Pedagogia da UESC

SandraNo último sábado (28), fomos informados sobre mais um caso de feminicídio. Dessa vez a vítima foi uma estudante do curso de Pedagogia, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Sandra Oliveira. Por não aceitar a separação, a autonomia e independência financeira de Sandra, seu ex-marido, Jefferson Amaral de Carvalho, a assassinou e enterrou o corpo no quintal de sua casa, em Ilhéus – BA.  Relatos de familiares e pessoas próximas de Sandra afirmam que a mesma sofria violência emocional e física há algum tempo. Um percurso que se repete cotidianamente na vida de muitas mulheres e que precisa ser combatido.

1Uma mobilização foi feita por estudantes e professoras da UESC para que o caso não seja esquecido ou entendido como um crime passional. Na última segunda-feira (30), uma reunião no espaço CEU contou com diversos relatos por parte de muitas mulheres que passaram por relacionamentos abusivos ou que são submetidas cotidianamente a atitudes machistas, seja em ambientes domiciliar, de estudos ou trabalho.

2A reunião também encaminhou a realização da “Jornada de Lutas Sandra Presente!”, que contará com uma série de atividades visando debater e contribuir para a reflexão da realidade que as mulheres vivem em uma sociedade estruturada sob a lógica patriarcal. Na próxima sexta-feira será realizado um ato em memória de Sandra e em defesa da vida das mulheres. A concentração será no espaço CEU da UESC, a partir das 08:30 da manhã.

3O último Congresso do ANDES – SN aprovou uma Moção em solidariedade aos familiares e amigos de Sandra e de repúdio ao crime de feminicídio. Leia abaixo.

TEXTO DA MOÇÃO

 

O(a)s delegado(a)s presentes ao 36º CONGRESSO do ANDES-SN, realizado em Cuiabá /MT, no período de 23 a 28 de janeiro de 2017, manifestam repúdio ao feminicídio da estudante de Pedagogia da UESC, Sandra Oliveira. Sandra foi morta na noite de 27 de janeiro e teve o cadáver ocultado abaixo de concreto por seu ex-companheiro, autor do crime. O assassino foi denunciado pelos vizinhos, que relatavam contínuas agressões, bem como a postura autoritária de quem não se conformava com a independência financeira e intelectual da estudante. O feminicídio é o caso mais grave de violência contra a mulher, mas é geralmente precedido de violência física, patrimonial, sexual, verbal e simbólica. A luta contra o machismo, que mata e violenta a s mulheres, deve ser tomada de conjunto por todas as instituições, em especial a universidade.

Manifestamos nossa solidariedade a familiares, amigos/as e docentes da vítima. É preciso que os ditos casos de “crime passional” sejam encarados como desdobramento de relacionamentos abusivos, que devem ser condenados por todos aqueles que acreditam na necessidade de uma mundo mais justo e igualitário também para as mulheres. Esperamos que as medidas cabíveis sejam aplicadas e que a gestão da universidade se posicione sobre esse caso tão triste, atuando para coibir que outros aconteçam.

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